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O equilíbrio entre a realidade e os limites existentes

Quem não gosta de acertar no alvo? Melhor seria: quem não gosta de acertar na mosca? Todos nós gostamos que nossas decisões e as ações decorrentes tenham destino certo e produzam os resultados esperados. Contudo, mesmo que desejemos que isso aconteça, se não houver o cuidado necessário, pode ser que sejamos frustrados em nosso intento.

Não existe receita que dê certo em todas as situações. No entanto, podemos considerar alguns aspectos interessantes para podermos alcançar um relativo sucesso.   É bom lembrar que qualquer decisão sempre estará retratando uma situação existente.   Assim, em primeiro lugar, é preciso ter em conta que, qualquer que seja a situação, sempre estaremos tomando uma decisão, pois tomar ou não uma decisão sobre o assunto já é, em si uma decisão. O “agir pelo não agir”, como diz Ghandi, pode ser a melhor solução.  

Contudo, na maioria das vezes, temos que nos posicionar tomando uma decisão. Ocorre que a realidade deve ser vista sob várias perspectivas, pois nela existem vasos comunicantes, cujas ramificações não temos pleno conhecimento. Um desses vasos são os limites. Existem limites tecnológicos, mercadológicos, de processo, financeiros, políticos, de espaço, de quantidade, de competência, de relacionamento etc., cujas interferências podem ocasionar grandes riscos nas tomadas de decisões.

A ação escolhida pode ser correta, mas as circunstâncias podem estar completamente desfavoráveis. É preferível rever a decisão para colocá-la em ação. Observemos os exemplos a seguir:

1. Tenho por norma trocar de carro a cada três anos. No passado, não tive nenhuma variável que restringisse tal decisão. Hoje, contudo, estou tendo certo prejuízo na bolsa de valores, desestabilizando-me financeiramente. O bom senso indica que devo aguardar um pouco mais, para poder respirar melhor e não me colocar numa situação de asfixia financeira.

2. Tenho que conversar com meu filho sobre os resultados que vem obtendo na escola e estabelecer alguns limites para ajudá-lo a ter melhor desempenho.  Recentemente, porém, tivemos um conflito, cujos resultados não me foram muito favoráveis, pois, de certa forma, me sinto um pouco culpado. Assim, antes de falar novamente com ele sobre a situação escolar, preciso criar uma estratégia para melhorar o clima de confiança entre nós.  Embora a intervenção seja em prol do benefício dele, não posso prescindir de criar as condições necessárias para que ele perceba as minhas boas intenções e aceite os conselhos e orientações que pretendo lhe oferecer. “Quero que ele faça, não porque deve, mas sim porque quer e deseja fazer”.

Quando conseguimos contrabalançar  os recursos existentes, freqüentemente limitado pelas circunstâncias,  com a demanda existente na realidade que apela para uma modificação, podemos considerar que a ação empreendida trará os benefícios desejados.  Como os limites são restritivos, pode acontecer que tal intervenção  não seja suficiente, carecendo de outras medidas. Mas a cada intervenção, um passo a mais na direção dos objetivos que pretendemos atingir.

Prof. Daniel Julio - daniel@misterprint.org
 
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